Ondina: quando a pedra se transforma em luz

Outubro 2026

Ondina: quando a pedra se transforma em luz

Ondina é uma escultura de luz colecionável da Maré Collective, desenvolvida em colaboração com o Grupo Galrão.

Criada em mármore Picasso, a peça explora a relação entre pedra e luz, levando o material a uma expressão inesperada de espessura, movimento e translucidez. Através do diálogo entre design, tecnologia e trabalho artesanal, o carácter natural da pedra torna-se parte ativa do objeto.

Depois da sua apresentação na Marmomac, conversámos com a Maré Collective sobre o conceito por detrás de Ondina, a escolha do material e o processo de transformar pedra natural em luz.

Onde começou Ondina? Qual foi a ideia ou imagem inicial por detrás destas duas esculturas de luz?

Ondina começou com a imagem de uma onda, movimento capturado na pedra. Queríamos pegar num material bruto e poderoso, que associamos a uma energia masculina, e transformá-lo numa forma suave, fluida e feminina.

Que papel queriam que o material tivesse na identidade das peças?

O material é a alma de Ondina. A pedra natural transporta consigo milhões de anos de história. Os seus veios, cores e imperfeições são criados pela natureza, não desenhados por nós. Queríamos respeitar isso e permitir que a própria pedra se tornasse parte da expressão da peça.

Em que momento perceberam que a pedra natural era a resposta certa para o projeto?

A pedra esteve presente desde o início. Há algo profundamente emocional em viver com um material que nos liga à natureza, à história e ao património arquitetónico, desde a Roma Antiga até aos dias de hoje. O mármore transmite uma sensação de permanência e nobreza que poucos materiais conseguem alcançar.

O que encontraram no Picasso que tornou esta pedra particularmente adequada a Ondina?

O Picasso parece quase uma obra de arte criada pela própria natureza. Os seus tons rosados e os veios escuros e expressivos lembram pinceladas espontâneas sobre uma tela. O nome Picasso parece completamente natural quando olhamos para a pedra, cada chapa é já uma composição única.

Nestas esculturas de luz, a pedra interage diretamente com a luz. De que forma essa relação influenciou o design?

A luz não é apenas uma função em Ondina, é uma forma de revelar a pedra. A ideia nasceu da experiência de ver mármore numa pedreira ao nascer do sol, quando a luz natural revela subitamente cores, profundidade e veios que antes eram quase invisíveis. Queríamos recriar esse momento no próprio objeto.
Ao trabalhar o Picasso até uma espessura excecionalmente reduzida e iluminá-lo a partir do interior, a pedra parece ganhar vida. Os veios tornam-se mais expressivos, as cores intensificam-se e o material quase começa a falar.
Ondina não é simplesmente um objeto num espaço. Através da luz, a pedra torna-se uma presença — uma afirmação por si só.

De que forma acreditam que a pedra natural acrescenta valor para além da sua presença visual?

Os materiais naturais afetam-nos emocionalmente. A pedra vem diretamente da terra e transporta consigo a sua própria história e energia para um espaço. Acreditamos que isso cria uma ligação que não pode ser reproduzida por um material artificial.

Como foi desenvolver as peças com o Grupo Galrão?

Ondina constrói-se a partir do diálogo entre o trabalho artesanal e a tecnologia. A tecnologia do Grupo Galrão permitiu-nos levar o mármore Picasso a um nível excecional de precisão e espessura, enquanto as mãos dos artesãos deram à peça a sua sensibilidade e carácter finais. Um não poderia existir sem o outro.

A própria pedra levou-vos a ajustar o desenho original?

Sim. Com pedra natural, não podemos simplesmente impor um desenho ao material, temos de o escutar. Os seus veios, estrutura e resistência passaram a fazer parte do processo de desenvolvimento e ajudaram-nos a refinar a peça final.

Como foi ver Ondina na Marmomac?

Foi emocionante porque a Marmomac celebra a pedra em toda a sua força e monumentalidade. Ondina apresentou uma outra possibilidade: o mesmo material poderoso tornar-se fino, iluminado, fluido e feminino.

Como veem o potencial da pedra natural no design contemporâneo?

Vemos a pedra não apenas como uma superfície ou um acabamento, mas como um meio para o design colecionável. Transporta natureza, história e memória cultural, enquanto a tecnologia contemporânea nos permite expressá-la de formas completamente novas.

O que gostariam de explorar a seguir?

Ondina é o início desta exploração. Queremos continuar a trabalhar a tensão entre um material ancestral e a tecnologia contemporânea, entre o bruto e o refinado, a força e a suavidade, a pedra e a luz.



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