FISH CUBE – Explorar a Relação Entre Arte, Sustentabilidade e o Mundo Subaquático

Fevereiro 2025

FISH CUBE – Explorar a Relação Entre Arte, Sustentabilidade e o Mundo Subaquático

No cruzamento entre arte, ciência e design, o projeto Fish Cube destaca-se como uma solução inovadora que desafia os limites da arquitetura convencional e promove uma nova relação entre humanos e o ambiente subaquático. Para compreender melhor os detalhes e motivações por trás deste projeto, entrevistámos o KWY studio, uma das mentes criativas por detrás do Fish Cube, em colaboração com a SUPERFLEX. Durante a conversa, foram abordadas as inspirações, os desafios técnicos e artísticos, bem como o compromisso com a sustentabilidade e o impacto ambiental positivo que o projeto procura alcançar.

Fotografia: Adriano Ferreira Borges

O que motivou a criação do Fish Cube, um projeto que desafia a arquitetura convencional ao interligar humanos e o ambiente subaquático?
O Fish Cube é o resultado de um longo processo de pesquisa e desenvolvimento de geometrias que procuram dar resposta a necessidades técnicas, mas também artísticas, na medida em que pode funcionar como elemento de construção de novos recifes em ambiente subaquático e também como parte de um sistema de comunicação e sensibilização para a necessidade de promovermos uma relação mais justa com as espécies que nos rodeiam. 

De que forma o estudo do comportamento das espécies marinhas moldou o design do FishCube? Existem elementos ou características inspiradas diretamente nas necessidades das espécies aquáticas?
A modularidade e a possibilidade de gerar composições com características distintas, como orientação e exposição à luz, permitem criar ambientes adaptados às necessidades de diferentes espécies. Ou seja, o mesmo módulo pode gerar recifes mais abertos ou mais fechados, de maior ou menor escala, com superfícies orientadas de formas diversas, ao mesmo tempo que possibilita a construção de estruturas que podem ser utilizadas por humanos em ambiente terrestre. 

Fotografia: Adriano Ferreira Borges

Em termos de métodos de produção, como decidiram pela técnica de corte por fio? Que vantagens trouxe esta técnica para maximizar a área de superfície e reduzir o desperdício no processo?
A geometria desenvolvida e a técnica de corte por fio permitem a utilização total dos blocos selecionados, ou seja, não há desperdício na produção, e a forma resultante tem uma área de superfície substancialmente aumentada. Consegue-se uma elevada complexidade formal utilizando um método e uma sequência de produção extremamente simples: dois cortes resultam em quatro peças, cada uma com sete faces. 

Enquanto a arquitetura humana se caracteriza pelos ângulos retos, o ambiente subaquático exige formas mais orgânicas. Como trabalharam estas variações para que o Fish Cube oferecesse habitats acolhedores para a fauna marinha?
Diferentes espécies de fauna e flora marinha requerem condições específicas, pelo que não existe exatamente uma forma de recife ideal – o importante é a variabilidade e a possibilidade de se poderem construir ambientes diversos. Formas orgânicas assemelham-se mais naturalmente ao tipo de superfícies normalmente encontradas em ambientes subaquáticos, enquanto as faces retas permitem uma montagem simples. O Fish Cube permite-nos criar inúmeras variações de forma relativamente fácil. 

A pedra natural foi o material escolhido para o projeto. Quais foram os critérios principais para esta seleção, considerando o equilíbrio entre durabilidade, interação com água salgada e sustentabilidade?
Recifes artificiais têm sido construídos com diversos materiais, normalmente recriando características da pedra, por ser o material mais habitual e propício ao crescimento de várias espécies. Em alguns países, onde a degradação dos ambientes subaquáticos é causada pela extração de pedra para construção, a pedra é o único material permitido na recuperação de ambientes marinhos. 

No equilíbrio entre arte e funcionalidade, quais foram os principais desafios ao criar uma peça que é simultaneamente cativante para humanos e útil para outras espécies?  O nosso objetivo no desenvolvimento de Fish Cube foi o de criar um sistema que fosse de facto cativante enquanto útil–esse equilíbrio foi sempre essencial durante o processo. Naturalmente não será o recife mais completo nem o sistema de construção mais eficiente: é um desenho que permite desenvolver novas experiências científicas e também comunicar a importância de uma nova relação com a natureza. 

Como foi a colaboração com o grupo Galrão durante o desenvolvimento do Fish Cube? Houve adaptações no design para que a produção fosse mais eficiente, ou para maximizar a durabilidade das peças?
O conhecimento técnico, tanto do material como do método de produção de corte por fio do Grupo Galrão, foi essencial para introduzirmos pequenas alterações e otimizações na geometria que permitissem alcançar o resultado pretendido. A possibilidade de testar, prototipar e acompanhar a produção de perto ajudou-nos a aprender e a melhorar os nossos processos. 

A sustentabilidade foi claramente uma prioridade no processo de produção. Para além do corte por fio, que outras práticas sustentáveis exploraram para minimizar o impacto ambiental?
No primeiro projeto em que utilizámos o Fish Cube houve a intenção de testar um determinado tipo de pedra e uma dimensão específica – no entanto o desenho e o sistema permitirão, em breve, trabalharmos com material que é habitualmente considerado desperdício, aumentando a sustentabilidade da sua produção 

Durante a escolha de materiais e formas, que tipo de testes ou análises realizaram para garantir que o Fish Cube se integraria de forma positiva no ambiente marinho?
O Fish Cube é um projeto que resulta de vários anos de desenvolvimento em colaboração com vários especialistas, período ao longo do qual têm sido realizados vários testes com diversos materiais e geometrias–incluindo estruturas montadas em ambiente subaquático e monitorizadas ao longo do tempo. 

Fotografia: Adriano Ferreira Borges


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