Casa do Carvalhal: A presença da pedra natural na arquitetura contemporânea
Junho 2026
Casa do Carvalhal:
A presença da pedra natural na arquitetura contemporânea
Nesta moradia no Carvalhal, desenvolvida pelos Santa Bárbara Arquitetos, a pedra natural assume um papel central na construção da identidade do projeto.
Num exercício marcado pela contenção formal, pela continuidade espacial e pela relação com a paisagem envolvente, o mármore português foi integrado em diferentes elementos da casa, desde peças funcionais a elementos de presença escultórica. O Grupo Galrão participou no desenvolvimento e fornecimento destas peças, através de um processo de colaboração, desde a seleção dos blocos à criação das peças.
Os arquitetos Inês Cruz e Gonçalo Pereira falam-nos sobre o processo, o detalhe e a forma como a pedra natural contribui para a construção de espaços intemporais e duradouros.
Num contexto marcado pela rapidez e pela constante transformação, os Santa Bárbara Arquitetos procuram desenvolver uma arquitetura assente na continuidade, serenidade e longevidade. Como é que estes princípios se refletem na identidade do atelier e na abordagem aos projetos residenciais?
Não pensamos a arquitetura como resposta a tendências. Interessa‑nos trabalhar com estruturas claras e materiais que perdurem. A continuidade nasce do processo. Procuramos que o resultado sustente o habitar ao longo do tempo, num equilíbrio entre adaptabilidade e permanência.
A moradia no Carvalhal estabelece uma relação muito natural com os materiais e com a envolvente. Quais foram os princípios que orientaram o desenvolvimento deste projeto?
A Casa parte da leitura do território, entre a praia e o pinhal, num lote pequeno e exposto, à cota mais baixa do loteamento. As abóbadas não são um gesto formal. Surgem como resposta ao regulamento do condomínio, que exigia telhados inclinados, na procura de uma determinada identidade local. A abóbada rebaixada cumpre essa exigência e, ao mesmo tempo, responde à horizontalidade do lugar com uma expressão mais contemporânea. A casa começa na cobertura.
A pedra natural assume uma presença muito forte na casa. Como surgiu a intenção de trabalhar a pedra de forma tão transversal?
Num edifício marcado pela regularidade da estrutura, sentimos que os elementos que distinguem os espaços – a ilha, a banheira, a lareira, o puxador – precisavam de ter peso e presença própria. A pedra é especial porque é irrepetível, nunca há duas peças iguais, e introduz singularidade dentro da repetição da estrutura.
O projeto recebeu uma Menção Honrosa no Prémio Jovens Arquitetos. O que representou este reconhecimento?
Mais do que um prémio, foi o reconhecimento da coerência estrutural do projeto e da consistência do nosso método de trabalho.
Que potencial encontram hoje na pedra natural na arquitetura residencial?
Acreditamos que a pedra, em especial o mármore português, confere nobreza e intemporalidade aos espaços. Nesta casa, procurámos que funcionasse em contraponto às paredes brancas e ancorasse o projeto numa tradição construtiva local.






